quarta-feira, 4 de novembro de 2009

MINICONTO


O CORPO CAÍDO NO CHÃO
Aramis Ribeiro Costa

Tinha quarenta e três anos, era forte e saudável, mas sentiu uma forte dor no peito, suou frio, caiu no chão desmaiado, e lá ficou na calçada, em plena avenida movimentada. Uma senhora passava com a filha, comentou:
- Que vergonha. A essa hora.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ALGUÉM DIZ POR MIM


Ser feliz é não precisar se lembrar.

J. M. G. Le Clézio ( Prêmio Nobel 2008), em Refrão da Fome (Cosac Naify, 2009. Tradução de Leonardo Fróes).



Eis um dos motivos da minha paixão pela literatura: encontro o que sinto, mas que não sei dizer.
Em tempo: não há relação com auto-ajuda, mas com o êxtase diante da beleza do “como dizer”.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ELIAS CANETTI: SOBRE OS ESCRITORES

Gerana Damulakis

Elias Canetti é o autor do romance Auto-de-fé, incluído na minha lista dos 100 romances que considero mais grandiosos. Não fica por aí, no entanto, a minha admiração por Canetti: os volumes A língua absolvida, Uma luz em meu ouvido e O jogo dos olhos merecem releitura e ainda os contos de Vozes de Marrakech e O todo-ouvidos - Cinquenta caracteres, os quais trataram de estabelecer certa intimidade com o autor de O outro processo- As cartas de Kafka a Felice quando, então, definitivamente eu coloquei Canetti em um lugar muito precioso nas minhas lembranças de leitura. Apenas Massa e poder (ensaio filosófico-etnológico), um livro importante e que chamou a atenção para Canetti, não encontrou em mim a capacidade necessária para o entendimento, pois foge da minha seara, sou assumidamente limitada.

Nobel de 1981, Canetti morreu em 1994 e deixou inéditos com ordem para publicação apenas 30 anos depois da sua ida. Todavia, estão aparecendo os inéditos de Canetti. Foi com grande expectativa que comprei meu exemplar de Sobre os escritores (José Olympio Editora, tradução de Kristina Michahelles) com apresentação do admirável Ivo Barroso. A erudição de Canetti é alicerce seguro para escrever sobre escritores. Contudo, há momentos em que certo desdém está misturado com admiração; de saída, isto também foi percebido por Ivo Barroso, o qual vai além, associando o desdém, não com a inveja, mas com a identificação e a autocrítica de Canetti. Seja lá qual for a explicação, o certo é que, em dadas passagens críticas, pensei que os textos de Sobre os escritores poderiam continuar inéditos. O melhor Canetti já foi publicado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

JORGE LUÍS BORGES: MOMENTO DE RUPTURA

Gerana Damulakis


Talvez se possa atribuir a Flaubert a inauguração de uma importância até então não corriqueira, ou seja, a importância da figura do escritor, haja vista Flaubert escrever e testemunhar tal ato num mesmo texto.
Talvez se possa atribuir a Proust a (re)criação de um mundo real com as palavras através de um perfeito equilíbrio com a própria ficção.
Agora não há talvez. Certamente se pode atribuir a Jorge Luís Borges um ponto de ruptura, dada sua narrativa ensaística: verdadeiro ato que tirou as algemas das possibilidades literárias, permitindo que alcançassem seus voos.
Eis o momento: as narrativas podem ser classificadas de ensaios, livros de viagem, memórias ou autobiografias, como sempre foram. A diferença está, enfim, em serem englobadas como grandes romances. Exemplos? Os textos de W. G. Sebald (1944-2001), de Claudio Magris (1939- ), para ficarmos apenas com dois escritores. Há outros. Muitos.


Ilustração: litografia "Relativity", de M. C. Escher, de 1953.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

AMANHÃ, DIA 30, NA ALB




A Academia de Letras da Bahia convida para o Colóquio Euclides
da Cunha, pelos cem anos de sua ausência, e pelos cinquenta anos
do confrade Aleilton Fonseca

17h - Mesa-Redonda:
Coordenação Edivaldo M. Boaventura (presidente da ALB)

O Parque de Canudos
Edivaldo M. Boaventura (ALB)

A formação intelectual de Euclides da Cunha
José Carlos Barreto (UEFS)

Aleilton Fonseca faz Canudos redivivo
Maria Lúcia Martins (ALJ)

18h - Sessão de autógrafos:
O PÊNDULO DE EUCLIDES, Romance de Aleilton Fonseca

Dia 30 de outubro de 2009, às 17h
Av. Joana Angélica, 198 / Nazaré - Salvador- BA

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

ESPAÇO CRÍTICO

O DEVER QUE NÃO NOS CHAMA
ou CADÊ A PARTE QUE ME CABE DESTE LATIFÚNDIO?

por Silvério Duque*

Construir uma Antologia, por mais hábil e capaz que uma pessoa seja, é uma das coisas mais complicadas e arriscadas que ela, em são juízo, se presta a fazer em sua vida; principalmente, pelo fato de essa tarefa, irrefutavelmente, despertar a indignação de alguém, seja por não ver o seu trabalho ali publicado, ou, por não achar, nesta publicação, um trabalho do qual ele goste e considere digno de ali se fazer presente. Seria simples dizer: “quem quiser uma boa antologia, que a faça?” Claro que não...! Eu que tenho pretensões – e somente pretensões, até agora – de me arriscar a tal tarefa, sei muito bem deste problema.
Mas me parece que o professor e poeta Marco Lucchesi esqueceu-se um pouquinho disto em Roteiro da Poesia Brasileira: volume anos 2000 (Global, 2009), de sua autoria. Digo isso por causa do enorme estardalhaço que esta antologia causou – pelo menos, no espaço destinado aos comentários no Blog Leitora Crítica (http://leitoracritica.blogspot.com), administrado pela autora Gerana Damulakis, aqui, da Bahia... de Salvador – fora isso, a antologia me parece que vai muito bem, obrigado! Gerana, que é autora, entre tantas coisas, da Antologia panorâmica do conto baiano, deveria, também, ficar temerosa, pois... nunca se sabe.
Pela qualidade de sua poesia, que conheço bem, e por seu trabalho como crítico, que muito pouco conheço, Marco Lucchesi é uma das pessoas mais capazes de construir uma antologia permeada de riqueza e de qualidade, mas como disse a pouco, quem o livrará de irrefutáveis indignações? Seu trabalho foi rechaçado por uma turba de leitores e autores indignados, e, a maioria com razão, de esta antologia não abarcar o real momento por que passa a produção literária baiana e se limitar a um grupo geograficamente e cooperativistamente incrustado em Salvador e pela mídia local.
Parece-me que a grande questão está na atuação destes poetas no círculo literário baiano, que, sem sombra de dúvidas, ou pelo menos em meu ver, é muito grande; é só conferir os cadernos culturais, os concursos literários, as raríssimas, mas existentes, entrevistas em rádio e TV, e veremos que há uma razão muito grande para que estes nomes se façam presentes; por isso, não vou, de forma alguma, atacar o trabalho de Lucchesi, nem os critérios pelos quais ele chegou a esta tão “famigerada” lista de autores baianos, mesmo que alguns desses, sequer tenham nascido na Bahia – mas alguém aqui diria que Clarice Lispector é uma dignatária da literatura ucraniana? Vanessa Buffone, por exemplo, tem uma poesia leve e expressiva, e, retirando-se alguns lugares-comuns do feminismo literário, é a autora mais talentosa presente entre os “novos baianos”. Já no que diz respeito a outros ali presentes... é melhor deixar pra lá.
Dado aos círculos de amizades que se fazem entre muitos escritores, que criam, promovem, participam e premiam-se mutuamente, com a ajuda cooperativista que tanto banaliza a política e a maioria dos negócios em nosso país, e que não se faz diferente nos meios literários de todo o Brasil, entre Academia, Cadernos Culturais e tapinhas nos ombros, temo que Marco Lucchesi tenha sido vítima das aparências muito mais do que muitos leigos e despercebidos que, sentados na poltrona de suas casas, de frente para algum programa sensacionalista de televisão ao meio-dia, dão tanta importância a assuntos ligados à Literatura quanto se dá a um mosquito que acabou de ser esmagado pelo jornal de ontem... aqueeeele que continha um certo caderninho, com uns poeminhas...?!
Pensando melhor... bem que Marco Lucchesi poderia ter dado uma olhadinha na Bahia para além de Salvador... ali, em Ilhéus, em Feira de Santana, em Cachoeira... Ele só não pode dizer que foi contagiado pela famosa “preguiçinha baiana”, pois, para alguém com tantos e merecidos títulos como Lucchesi, para um professor à altura de sua graduação e fama, faltou-lhe o elemento básico em sua antologia: uma boa, sincera e exaustiva pesquisa.

***

E pior que o cooperativismo deliberado é o espírito cooperativista intrínseco, pelo que me parece existir no espírito sujo de muita gente, que, infelizmente, acha que uma pessoa que critica, por melhor e construtiva que seja a crítica, é uma invejosa e uma infeliz que não realizou seus sonhos e aspirações, e, mais interessante ainda, é se valer de críticas para criticar o uso da crítica propriamente dita... “faça-me uma garapa!”, como dizia o meu avô, esta não tem Freud que explique.
Digo isso, pois, dos muitos comentários que li o do poeta Gustavo Felicíssimo foi um dos melhores e mais coerentes, mas, por uma dessas ilógicas que só têm lógica nos meios literários brasileiros, e, conseqüentemente, no baiano, foi o mais atacado e acusado entre tantas coisas – até mesmo de fruto de uma inveja explícita e descabida... ai, minha carapuça!
Gustavo Felicíssimo, a quem aprendi facilmente a admirar como pessoa e como artista, é um defensor de idéias e filosofias e ver alguma inveja em seus comentários é o mesmo que enxergar a pedagogia de Piaget num programa da Xuxa. O que será de mim, então, após publicar este artigo? Miserere mei, Deus: secundum magnam misericordiam tuam...
Tão importante quanto o fato de defender uma idéia, e ainda mais uma filosofia, é vivê-la, é torná-la a essência de sua existência e nela construir uma vida singular, baseada naquilo que se tem como verdade ou missão, e, isso, cabe, também, e talvez mais (ou mais freqüentemente) aos poetas. É o caso, por exemplo, do Gustavo Felicíssimo, atualmente um dos melhores, mais promissores e ativos poetas da atual Literatura Baiana e Brasileira; atividade que vai além da poesia e se estende para um trabalho de divulgação das novas gerações poéticas e que, graças à qualidade tanto de sua poesia como de seu trabalho de crítico e de divulgador, tem sido reconhecido por muitos dos melhores poetas e críticos do país, a exemplo de Pedro Sette Câmara, Cláudia Cordeiro e Luis Dolhnikoff e, lógica e verdadeiramente, é atacado e invejado por uma leva considerável de nossos medíocres alguma-coisa.
Eu, particularmente, considero as micro-entrevistas da série Três perguntas para... (conferir: http://sopadepoesia.zip.net), uma das idéias mais bem boladas da Internet e, mais particularmente ainda, um dos melhores projetos dos quais participei. O fato de se fazer presente em várias revistas e sites de poesia, além de seu Blog, Sopa de poesia, ser reconhecidamente premiado, pela revista Veja, como um dos melhores Blogs do país, são exemplos concretos de que Gustavo Felicíssimo merece todos os elogios que, sem medo ou pudor, e, sim, com sinceridade e débito, venho prestar a ele nestas poucas e insuficientes palavras... Como podem ver, aceito a cruz que, deliberadamente, me adorna os ombros.

Se o Gustavo fez quaisquer comentários sobre seja lá o que for, ele deve ser julgado pela qualidade e veracidade dos comentários que fez e não porque, simplesmente, teve a coragem, o dever e a capacidade lúcida e bem fundada de fazê-lo e o mesmo vale para a antologia de Marco Lucchesi... o que ou quem se presta contra estas coisas, sim, é um invejoso ou um cooptado por ela.

Mas não é Freud que diz que dizia que “o instinto de amor em direção a um objeto exige um domínio para obtê-lo, e, se uma pessoa sente que não consegue controlar o objeto, ou se sente ameaçada por ela, passa a agir negativamente com relação a ele ...”?

Melhor deixar pra lá...


Feira de Santana, 28 de outubro de 2009.



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Silvério Duque é poeta, professor, licenciado em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana, músico. É autor dos livros de poesia: O crânio dos peixes (MAC, 2003) e Baladas e outros aportes de viagem (Ed. Pirapuama, 2006). Seu novo livro de poemas, Ciranda de sombras está no prelo.

IV BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE ALAGOAS


Arriete Vilela na IV Bienal Internacional do Livro de Alagoas:
1. no dia 31 de outubro (sábado), no estande da SECULT/ Biblioteca Pública Estadual, com o livro OBRA POÉTICA REUNIDA;
2. no dia 4 de novembro (quarta-feira), no estande da Sobrames, com os livros GRANDE BAÚ, A INFÂNCIA e FANTASIA E AVESSO - 5ª edição -, e
3. no dia 4 de novembro (quarta-feira), no estande da FAA, com postais (poemas e fotografia).