segunda-feira, 27 de abril de 2009

NOTÍCIAS DA BLOGOSFERA


No blog Blag, Nilson Pedro escreveu um excelente texto: "O curioso caso de Susan Boyle". Imperdível!


Diogo Borges participou de uma roda de poesia bem interessante no Rio e enviou e-mail: "obviamente, falei alguns sonetos de Sosígenes Costa e - acredite - o poema "O Dourado Papiro" na íntegra! Todos ficaram encantados e eu admirado em descobrir que absolutamente ninguém conhecia o poeta". Ele, Diogo, está tratando de mudar isso, divulgando o poeta grego da Bahia.


Para ter uma sensação boa de leveza: o 1º vídeo que o poeta Manuel Anastácio, do blog Da Condição Humana, coloca no Youtube: "Flocos de algodão dos choupos de Guimarães", para mostrar "fragmento de primavera" em Portugal. Basta clicar.

http://www.youtube.com/watch?v=4g0DMz3g-QY

Foto de Susan Boyle, retirada do Flickr, de Bert Kommerij.

domingo, 26 de abril de 2009

RESUMO




Gerana Damulakis

Estive apenas duas vezes na 9ª Bienal do Livro. Ambas no Café Literário. Passei pela Arena e vi Frei Betto, depois vi Ruy Castro, mas não havia tempo para assistir. Deliciosos foram os encontros com tanta gente: Myriam Fraga, Ruy Espinheira Filho, Maria da Paixão, Lima Trindade, Lázaro, Bernardo Linhares, Mayrant Gallo, José Inácio Vieira de Melo, Carlos Barbosa, Terezinha, Érica, Ana Bárbara Sousa e sua linda filhinha, Álvaro e Lícia, Pedro (do blog Primeira Necessidade), Bernardinho. E, surpresa, conheci Marcus Gusmão, do blog Licuri, e Soraya; os dois são muito simpáticos. No dia das poetas Kátia Borges e Mônica Menezes (fotos), o tema foi: Trazer a intimidade para a literatura é um desafio? Ambas debateram a questão e os respectivos pontos de vista eram, muitas vezes, diferentes, como são, desde logo, seus poemas; o que, de saída, enriquece a própria literatura. No sábado, a questão foi: Qual a diferença entre fazer um conto e um romance? Antônio Torres, Aramis Ribeiro Costa e Carlos Ribeiro (foto) falaram das facilidades e dificuldades quando da feitura de um texto em cada gênero. Para Torres, o conto exige maior esforço de produção. Aramis enfatizou que cada história pede por determinado gênero. Carlos confessou que se sente mais solto ao tecer um romance.
Fotos retiradas do site da Bienal: www.bienaldolivrobahia.com.br/

sábado, 25 de abril de 2009

TORRES, ARAMIS E CARLOS: CAFÉ LITERÁRIO





CONTO E ROMANCE SÃO TEMAS DE CAFÉ LITERÁRIO

Os escritores Antonio Torres, Aramis Ribeiro Costa e Carlos Ribeiro participarão, neste sábado, 25 DE ABRIL, às 20 HORAS, (http://www.bienaldolivrobahia.com.br/), do CAFÉ LITERÁRIO da IX BIENAL DO LIVRO DA BAHIA, sobre o tema "Qual a diferença entre fazer um conto e um romance?"

Após o Café, Carlos Ribeiro lançará o seu novo livro: À LUZ DAS NARRATIVAS: ESCRITOS SOBRE OBRAS E AUTORES, publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia / Edufba.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A CAÇA É DO CAÇADOR

Gerana Damulakis

Saia justa, decote em V na blusinha fina, que deixava evidente os bicos dos seios, sapatos com saltos altos porque não há coisa mais sem sal do que mulher de sandálias de dedo rasteiras, e um bonito batom para realçar seus lábios. Pronta! Pronta para caçar, literalmente. Os homens são caçados e não percebem isto, pensam o contrário, coitados. Perigosa e enganada. Ela, quando resolve, ataca, e não há santo que resista. O melhor de tudo é a conquista, atrair a caça pelo perfume sensual, pelos gestos sedutores e pelo olhar. O olhar diz tanto: “Venha, pode vir, prometo o céu”.
E ela foi para a balada. Quando chegava, todos iam dizer um oi, trocar uma idéia, elogiar o visual, quanta leveza. A alegria é leve, é? Ela dizia que sim. Madonna e seu tic tac tic tac em "4 minutes", o corpo embalado, a cabeça no ritmo do corpo, a vida é uma festa, não apenas Paris. Que garota bacana, ele pensou. Só que ele não era do bem, a cabeça não acompanhava o ritmo do corpo, a leveza só chegava depois de muita birita e outras “cositas” mais. Um cara assim destrói. Tocaram "Closer", gostava de Ne-Yo. Pegou a bela da noite e fez charme, com chapéu maneiro na cabeça. Ela ficou encantada. A galera avisou, ele é do mal. Que beijo, que pegada, os dois juntos a noite inteira, valia tudo, depois 4 paredes, sabe como é. Quem era o caçador agora?
Cadê? Na noite seguinte, ela procurava por ele. Está em outra, não veio. Não ia ficar triste, sua maneira de viver levava em conta o inesperado e não o repetitivo, então... Será? Será que não esqueceria aquele beijo que tocava a alma e o par de olhos da cor do mar, ou do céu de verão. Olhos de Daniel Craig. É amanhã, com certeza! A noite é para dançar, o vestido está brilhante, ela parece uma bonequinha de luxo e de madrugada comerá pletzel e segurará um café em frente aos valiosos diamantes da joalheria. Prefere a cravação inglesa e não admira a lapidação brilhante, tem gente que pensa que diamante é uma pedra e brilhante é outra. Queria um diamante do tamanho do Ritz. Eu sei tudo, eu sou do bem, eu sou fashion e mereço o mundo aos meus pés.
De dia, o caçador tinha apenas os próprios pés no chão, amanhecia metamorfoseado e partia on the road.

DE POETA PARA POETA


terça-feira, 21 de abril de 2009

DA INDIGNIDADE DO POUCO


Gláucia Lemos


O que escolhes ser, que o sejas muito. Não te bastes com migalha da tua possibilidade. Não te envergonhes da tua ambição de ser e de sentir.
Se és bom, não te satisfaça apenas ser bom, sê generoso. Sê bom também contigo. Perdoa teus próprios erros e vacilações com igual grandeza tal aquela com a qual perdoas os erros dos teus semelhantes. Haja bondade na atmosfera de todo o teu percurso, despreocupado de retribuição, porque escolheste ser bom, muito bom, sem motivo, e hás de ser bom, tão bom quanto os melhores, para que não te humilhes à mediocridade. Somente porque é bom ser bom sem troco. Mas não aceites a mediocridade na tua escolha. Vê que pior do que não ser, é ser medíocre, ser perdido na insignificância da turba. Sê muito mais, em tudo aquilo que assumires.
Se és alegre, sê mais que alegre, sê contente, sê irradiante, sê feliz. Explora todo o teu potencial de alegria e gozo, engalana e badala sinos à tua festa, já que, quando fores triste, serás muito triste, irás a toda a profundidade da tua tristeza, escolheste a tristeza, deverás vivê-la total e plenamente, que não sobre espaço em ti que se negue a teu desalento. Nada fiques devendo à tua dor. Tudo o que fores, sê sempre muito. Não vivas nada pela metade.
Quando amares, ama inteiramente, ama com toda a alma e com as tuas entranhas. Supera todos os limites postos por Deus e pela humanidade para os teus sentimentos. Ama sem perguntas e sem cuidados, doa-te ao estado de amor e vive-o com toda a tua respiração. Com paixão e desespero, com ímpetos ridículos de subir ao Morro do Pai Inácio e bradar às galáxias que estás apaixonado, e seres capaz de beber sal e comeres erva daninha para provar o ter amor. Não ama simplesmente, é pouco, ama muito! Pois quando o amor deixar de ser, ou de estar, hás de chorar e substitui-lo em ti por uma saudade que precisarás sentir maiúscula. Entrega-te para que a saudade seja muita. Que te leve o sono, que te feche a boca, que te consuma as horas e as carnes e te faça escrever infinidade de versos horríveis e molhados. Chora todas as lágrimas que tiveres até sentires o cansaço da tua própria saudade e dores no osso frontal, mas chora muito, exageradamente, para não te deteres na metade da saudade que escolheste sentir. Sê muito, assim deves ser.
Quando precisares esquecer alguém, um amigo, um amor, um hipócrita, um traidor, faze-o como quem passa o aspirador no cantinho mais escondido, naquele cantinho atrás da estante mais pesada, onde as formigas costumam se esconder das vassouradas. Deixa-o limpo. Esquece muito e sempre. Esquece todas as borboletas e também esquece todos os escorpiões que recebeste. Não permitas fragmentos de lembranças que te façam sentir medíocre na tua assunção ao esquecimento. Esquece nomes, endereços, números, palavras, sons de vozes e melodias, gestos e gentilezas e mágoas, tudo. Nunca esqueças um pouquinho, ou lembres de vez em quando, é pouco, esquece muito e profundamente.
E até se preferires ser louco, sê completo, não te conformes com ser mero idiota. Os idiotas são enfadonhos. Escolheste a loucura, sê logo o rei dos loucos, não um simulacro. Nada de ser mais um Napoleão de manicômio, mais um faraó de carnaval. Sê logo Nero. Toca fogo no universo e sê aquele que escolheu as conseqüências da revolução dos tempos, e do final da sua própria existência, o resultado da tua escolha. Mas sê muito em tudo. No ser e no sentir. Pouco é indigno de ti. Pouco é um pedregulho que se atira ao rio, vai até o fundo e lá fica. Nem ao menos acompanha a viagem das águas para onde forem. Vai criar limo verde e lodo negro, e ter sempre a insignificância dos que se finam insignificantes.
Mas se escolhes ser santo, não sejas menos. Sê santo honestamente, impermeável à profanação e à hipocrisia. Muito santo. De jejuns e flagelações. Santo de castidade e morte em cruz. Sem mais-ou-menos. Completo e inteiro. Santo de penitência, vigília e adoração, de sono em catre e beijo em pestilentos, portanto, muito santo. Santo de humildade e de coragem de permanecer muito santo diante dos homens de punhais nas mãos e nas línguas. Muito santo, ainda quando tiveres no teu peito encravada uma bala perdida. Sê santo além dos comuns, acima dos medíocres.
Se possível, escolhe bem o que ser e o que sentir, escolhe muito, e sê, e sente, intensamente, nunca te confundas com o meio-termo. Cuida de escolher muito para que tua escolha não se volte contra ti. Mas não fiques devendo nada a ti mesmo, nem a teu coração, nem à tua vida. Cumpre tudo o que escolheste, inteiro e intensamente, e sem resquícios a te arrastar atrás.
Só os que se fazem muito, e riem muito e sofrem muito, vivem, e estarão prontos para o fim do seu próprio tempo sem a indignidade de se terem deixado ser pouco e sentir porções minguadas do que lhes cabia. Liberados das suas próprias cobranças. Quites consigo mesmos.



Gláucia Lemos é autora de 33 títulos. Seu livro de crônicas nascido aqui, no Leitora, começa a se tornar realidade.

Foto: Morro do Pai Inácio (Chapada Diamantina, Bahia), por Caetano Lacerda, retirada do Flickr.