segunda-feira, 8 de setembro de 2008

50 TÍTULOS INESQUECÍVEIS


Gerana Damulakis


DA LISTA

41- O complexo de Portnoy, de Philip Roth

42- A casa das belas adormecidas, de Yasunari Kawabata

43- O engenheiro de almas, de Josef Skvorecky

44- As vinhas da ira, de John Steinbeck

45- A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector

46- O anjo azul, de Heinrich Mann

47- Os cadernos de Malte Laurids Brigge, de Rainer Maria Rilke

48- A narrativa de A. Gordon Pym, de Edgar Allan Poe

49- O passado, de Alan Pauls

50- Narrativa pioneira da Perestroika em 2 volumes: Os filhos da Rua Arbat, 35 e outros anos, de Anatoli Ribakov


TRECHOS DE A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector (foto).


Toda compreensão súbita é finalmente a revelação de uma aguda incompreensão. Todo momento de achar é um perder-se a si próprio. Talvez me tenha acontecido uma compreensão tão total quanto uma ignorância, e dela eu venha a sair intocada e inocente como antes. Qualquer entender meu nunca estará à altura dessa compreensão, pois viver é somente a altura a que posso chegar - meu único nível é viver.

Não tenho uma palavra a dizer. Por que não me calo, então? Mas se eu não forçar a palavra a mudez me engolfará para sempre em ondas. A palavra e a forma serão a tábua onde boiarei sobre vagalhões de mudez.

sábado, 6 de setembro de 2008

4 VERSOS

Gerana Damulakis

Para ARC

Fica quieto um instante, fica assim:
para não espantar
a poesia que carregas
quando de mais nada te vestes.

POESIA

Aramis Ribeiro Costa

Ainda que eu te mande
Toda a poesia do mundo
Ainda faltará muita poesia
para te mandar, e muito mais ainda
Para receber de ti.


Do livro de poemas Quarto Escuro (pág. 35).

MAIS OUTROS

Gerana Damulakis

DA LISTA

31- As irmãs Makioka, de Jun'ichiro Tanizaki

32-O estrangeiro, de Albert Camus

33- Desonra, de J. M. Coetzee

34- O sol também se levanta, de Ernest Hemingway

35- Dom Casmurro, de Machado de Assis

36- O conquistador, de Almeida Faria

37- Do amor e outros demônios, de Gabriel García Márquez

38- Diana, de Carlos Fuentes

39- Trilogia USA (Paralelo 42, 1919, O grande capital), de John Dos Passos

40- O tecido do outono, de António Alçada Baptista


TRECHOS de Dom Casmurro, de Machado de Assis (foto).

A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.

Prazos largos são fáceis de subscrever; a imaginação os faz infinitos.

É certo que Capitu gostava de ser vista, e o meio mais proprio a tal fim (disse-me uma senhora, um dia) é ver também, e não há ver sem mostrar que se vê.

-Há coisas que se não dizem.
- Que se não dizem só metade; mas já que disse metade, diga tudo.

Ela amou o que me afligira (...).

Os sonhos do acordado são como os outros sonhos, tecem-se pelo desenho das nossas inclinações e das nossas recordações.

O anseio de escutar a verdade complicava-se em mim com o temor de a saber.

A vida é cheia de obrigações que a gente cumpre, por mais vontade que tenha de as infringir deslavadamente.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

COLETÂNEA ARTESANAL - CONVITE

PELE & ALMA

Lunna Guedes


Encara agora a pele
Ouça!
É possivel ouvir as inquetações todas
Mesmo enquanto reza seu sono
… e expulsa a consciência de sua alma
Ouça!
É possivel ouvir os resmungos todos
É possivel sentir a vontade de rasgar-se!


Convido vocês a participarem da próxima edição do Coletânea Artesanal - intitulada Pele & Alma. Para tal, enviem seus textos para lunnaguedes@gmail.com ou
leticia.lo.coelho@gmail.com até o dia 20 de setembro de 2008.

A Décima Quinta Edição do Coletânea Artesanal estará on line no dia 30 de setembro de 2008.

Informações adicionais:
Não esqueçam de adicionar o nome que será postado junto ao texto enviado e link de blog ou site, caso tenham disponível.
O envio dos textos não assegura a publicação - uma vez que todos os textos serão lidos e selecionados.
Os autores selecionados serão informados por e-mail.


Edição Letícia Coelho e Lunna Guedes

DOIS SONETOS: CAJAZEIRA E GLÁUCIA


MUSA

Luís Antonio Cajazeira Ramos

Nenhum perfume disse que chegaste.
Não houve sobressalto nem sinais.
Chegaste, assim como quem chega. E parte
de tudo parte, para nunca mais

achar o rumo, longe do que fui.
Resta de mim somente algo de novo,
muito antigo e completo, feito fogo
ou verdade, tão novo como luz,

cidade, paz, necessidade, pão...
Algo tão novo como tudo em vão.
E segue meu delírio a te seguir.

Nenhum perfume disse que partiste.
“E não partiste”, meu delírio insiste.
Perdido em ti, jamais dou trégua a mim.



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MUSA E SOMBRA

Gláucia Lemos

Nenhuma mágoa disse que partiste.
Não houve despedidas, ademais.
Partiste, assim como quem parte. E fica
em tudo um certo élan de não ter mais

outro rumo, distante do que é.
Resta de mim o antigo, ontem perdido,
já desfeito e incompleto, quase cinza
ou mentira, tão velho como fé,

travo e tristeza, dor e treva chã.
Algo que foi como esperança vã.
E busco em meu vacilo te buscar.

Nenhum sorriso disse que voltaste.
“E não voltaste”, impõe-se-me a verdade.
Perco-me em mim, na perda de te achar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

OUTROS 10 TÍTULOS


Gerana Damulakis


DA LISTA

21- Pais e filhos, de Turguêniev

22- Os tambores da chuva, de Ismail Kadaré

23- O deserto dos tártaros, de Dino Buzzati

24- Meu nome é vermelho, de Orhan Pamuk

25- Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino

26- A consciência de Zeno, de Italo Svevo

27- Belos e malditos, de Scott Fitzgerald

28- Riso na escuridão, de Vladimir Nabokov

29- Padre Sérgio, de Tolstói

30- O bom soldado, de Ford Madox Ford

TRECHO de O deserto dos tártaros, de Dino Buzzati (foto).

Aos poucos a fé se enfraquecia. Difícil é acreditar numa coisa quando se está sozinho e não se pode falar com ninguém. Justamente naquela época Drogo deu-se conta de que os homens, ainda que possam se querer bem, permanecem sempre distantes; que se alguém sofre, a dor é totalmente sua, ninguém mais pode tomar para si uma mínima parte dela; que se alguém sofre, os outros não vão sofrer por isso, ainda que o amor seja grande, e é isso que causa a solidão da vida.