quarta-feira, 10 de março de 2010

UMA OFENSA, OU UMA CONSTATAÇÃO DIANTE DE CERTOS ABSURDOS?



Existem apenas duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo.
Albert Einstein

terça-feira, 9 de março de 2010

HOJE, TERÇA-FEIRA: CONTINHOS PARA CÃO DORMIR II E TIO TOMÁS


Maria Sampaio e Paloma Amado em fim de tarde e noite de autógrafos: hoje, terça-feira, dia 9 de março, na Livraria Tom do Saber, no Rio Vermelho.

domingo, 7 de março de 2010

UMA POESIA IMPRESCINDÍVEL



Gerana Damulakis

Ignacio Vázquez, no seu blog Lisarda Baila Cumbia (http://lisarda.blogspot.com/), fez uma postagem para me apresentar a poesia de Robero Juarroz. Traduzi ligeiramente o poema que segue abaixo. Vale a pena adentrar e conhecer a poesia do argentino. Logo depois, lembrei que Gonçalo M. Tavares tem um volume intitulado O Senhor Juarroz (Casa da Palavra, 2007), da série: O senhor Calvino, O Senhor Kraus, O Senhor Walser, O Senhor Breton. Também vale a pena, a série é uma homenagem aos escritores.

Roberto Juarroz, Poesía vertical XI, 25 (1988)


Cada poema faz olvidar o anterior,

apaga a historia de todos os poemas,

apaga sua própria historia

e até apaga a história do homem

para ganhar um rosto de palavras

que o abismo não apague.



Também cada palavra do poema

faz olvidar a anterior,

se desprende um momento

do tronco multiforme da linguagem

e depois se reencontra com as outras palavras

para cumprir o rito imprescindível

de inaugurar outra linguagem.



E também cada silêncio do poema

faz olvidar o anterior,

entra na grande amnésia do poema

e vai envolvendo palavra por palavra,

até sair depois e envolver o poema

como uma capa protetora

que o preserva dos outros dizeres.



Tudo isto não é raro.

No fundo,

também cada homem faz olvidar o anterior,

faz olvidar a todos os homens.



Se nada se repete igual,

todas as coisas são últimas coisas.

Se nada se repete igual,

todas as coisas são também as primeiras.


A poesia de Roberto Juarroz (1925-1995) constitui uma presença indispensável nas letras argentinas. Publicou treze volumes de poesia, todos com o mesmo título de Poesía Vertical, mais o número da série. Em 1997, em edição póstuma, saiu Poesía Vertical XIV. Entre 1958 y 1965 dirigiu a revista Poesía=Poesía, onde, além do próprio Juarroz, publicaram Octavio Paz, Manuel del Cabral, Alejandra Pizarnik etc.

Ignacio Vázquez

sábado, 6 de março de 2010

UMA LEITURA RÁPIDA


Gerana Damulakis

Estou lendo O túnel (Companhia das Letras, 2000), do escritor argentino Ernesto Sabato. Estou lendo praticamente de uma sentada: capítulos curtos, linguagem que flui, história bem amarrada e instigante. E mais: certas reflexões sobre o ser humano e a sua existência em achados interessantes, colocados devidamente, sem mais, sem exageros.

É curioso, mas viver consiste em construir futuras lembranças...
Ernesto Sabato

quarta-feira, 3 de março de 2010

NORTE-AMERICANOS GENIAIS: HOPPER E FROST

Gerana Damulakis

Tenho paixões. Duas paixões norte-americanas são: o pintor Edward Hopper, cujo exemplo acima, Noctívagos, tenho uma reprodução, ou melhor, tenho duas reproduções pela casa, e o Poet Laureate Robert Frost (1875-1963). Há um poema de Frost, cuja beleza é impar, que nada se perde na tradução de Jorge Wanderley, inclusive a música dos dois últimos versos - na verdade, um mesmo verso repetido por necessidade do poeta; de saída, uma necessidade que sinto, como leitora.

PERTO DO BOSQUE, NUMA NOITE DE NEVE
-------------------Robert Frost

O dono dos bosques conheço, creio.
No entanto, mora na cidade, alheio,
E não verá que me detenho aqui
Olhando a neve que de noite veio.

A meu cavalo parece um engano
Que eu pare nestes ermos, sem um plano,
Entre bosques e lagos congelados
No entardecer mais sombrio do ano.

Agita a rédea, sinto seu chamado
Que me pergunta se está algo errado.
Além dele, ouço apenas a passagem
Da brisa leve e os flocos repousados.

O bosque escuro e fundo é bom de ver,
Mas eu tenho promessas a manter,
E há que andar muito, antes de adormecer,
E há que andar muito, antes de adormecer.

Ilustração: Edward Hopper (1882-1967), Nighthawks, 1942. Art Institute of Chicago

sábado, 27 de fevereiro de 2010

"NENHUM HOMEM É UMA ILHA"

Nenhum homem é uma Ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da terra. Se um Pequeno Torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.
JOHN DONNE


John Donne(1572-1631), poeta inglês, em “Meditações XVII”, escreveu o trecho usado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway para intitular seu romance pungente de 1940, For Whom the Bell Tolls (Por quem os sinos dobram). A história da guerra civil na Espanha, uma guerra entre irmãos, deu origem ao filme (1943) com Gary Cooper, no papel de Robert Jordan, o norte-americano das Brigadas Internacionais, que tem por missão explodir uma ponte, e Ingrid Bergman, no papel de Maria, a mocinha do par amoroso. Só que o romance é muito mais que uma história de amor, é uma diatribe à guerra, à violência, à intolerância entre os homens, os quais não podem viver uns sem os outros: "Nenhum homem é uma ilha".