
sábado, 6 de março de 2010
UMA LEITURA RÁPIDA

quarta-feira, 3 de março de 2010
NORTE-AMERICANOS GENIAIS: HOPPER E FROST
Gerana DamulakisIlustração: Edward Hopper (1882-1967), Nighthawks, 1942. Art Institute of Chicago
sábado, 27 de fevereiro de 2010
"NENHUM HOMEM É UMA ILHA"
Nenhum homem é uma Ilha, um ser inteiro em si mesmo; todo homem é uma partícula do Continente, uma parte da terra. Se um Pequeno Torrão carregado pelo Mar deixa menor a Europa, como se todo um Promontório fosse, ou a Herdade de um amigo seu, ou até mesmo a sua própria, também a morte de um único homem me diminui, porque Eu pertenço à Humanidade. Portanto, nunca procures saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
CONVERSAS
Gerana DamulakisNão estamos acima da poesia
para justificar nossa imperícia frente ao verso:
à sua frente, somos a fração do imponderável
--------------entre existência e linguagem.
Tua biografia não é a tua obra
e o que dela dizem não é a melhor imagem.
Deixa o teu leitor à vontade,
oferta-lhe a poltrona mais confortável,
um gole de água fresca
e o convide ao delicado mergulho em tuas vivências.
Não perguntes sobre os teus poemas,
observa primeiro se possuem raízes
--------------e se oferecem frutos saudáveis.
Cuida que a palavra,
esse incrível instrumento que tens às mãos,
não seja mais importante que os sentidos,
mas a memória, tua fascinante e intrigante memória,
--------------dela tirarás teus versos.
Preserve-a ilesa, perene, infinda,
na imutável companhia das coisas que te são caras.
Na memória reside a chave que decifra
a inadvertida presença da poesia nas coisas.
Sua morada é escura
--------e espera que acendas as lâmpadas,
---------------após, todas as coisas se revelarão.
Ícaro - Henri Matisse, c. 1943 Image from Metropolitan Museum of Art
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
SABEDORIA MILENAR JAPONESA
O que um romancista realmente precisa não são opiniões variadas mas um sistema pessoal de contar histórias no qual suas opinões possam firmemente se apoiar.quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
A NOITE ESTRELADA

Gerana Damulakis
Imagino que ocorra o mesmo com os poetas e com os amantes da poesia: basta olhar uma noite estrelada e os versos de Bilac chegam naturalmente. Tantas vezes me atrapalho com alguma palavra, mas não deixo de lembrar este poema que atravessa os anos, dito nas noites estreladas. Talvez seja o exemplo mais conhecido da poesia de Olavo Bilac (1868-1918), talvez nem seja seu poema maior, mas é aquele que traz um verso, ou alguns versos, memoráveis, amiúde citados, quando olhamos as estrelas.
VIA LÁCTEA
-------------Olavo Bilac
-------XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Ilustração:
A Noite Estrelada
Vincent van Gogh, 1889
óleo em tela
73,7 × 92,1 cm
Museu de Arte Moderna de Nova York