quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ENCONTROS LITERÁRIOS 4


COM A PALAVRA O ESCRITOR NA ALB


AVISO IMPORTANTE

A palestra do escritor Antonio Miranda vai ser deslocada para a Academia de Letras da Bahia por conta de uma programação inesperada em comemoração ao dia do samba no Largo do Pelourinho.
Endereço: Avenida Joana Angélica, 198 - Nazaré, Salvador-Bahia
Data: 02 de dezembro/2009
Hora: 17hs

COM A PALAVRA O ESCRITOR


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O TEMPO É A SOMBRA...

Gerana Damulakis

No dia 7 de abril deste ano, fiz uma postagem intitulada “Persistência do espírito grego”, para trazer o primeiro prêmio Nobel atribuído a um escritor de língua grega, ocorrido em 1963: Giórgos Seféris (1900-1971). Para encerrar, momentaneamente, com a poesia escrita pelos gregos, deixo a referência a Seféris e passo diretamente ao segundo prêmio Nobel para a literatura neogrega, em 1979: Odisséas Elýtis (1911-1996).

O TEMPO É A SOMBRA CÉLERE DOS PÁSSAROS
Odisséas Elýtis

O tempo é a sombra célere dos pássaros
Meus olhos escancarados em meio às suas imagens

Por sobre o verde ditoso das folhas
As borboletas vivem grandes peripécias

Entrementes a inocência
Despe sua última mentira

Doce, doce peripécia
A Vida.

--------------in Orientações

Tradução de José Paulo Paes
Foto: Odisséas Elýtis

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

KÓSTAS KARYOTÁKIS

ÁRVORE
-----------Kóstas Karyotákis


Com rosto indiferente e ar de pouco caso,
saúdo as madrugadas, os ocasos.

Árvore, hei de olhar, com mirada isenta,
o céu azul ou a fúria da tormenta.

A vida, digo, é féretro no qual
dor e alegria do homem têm o seu final.

-----------------in Nepente [Nipénthi, 1921]

Tradução de José Paulo Paes
Kóstas Karyotákis (1896-1928) e sua poesia ficaram como representativos da geração dos anos 20 do século passado na literatura grega.
Poesia Moderna da Grécia. Seleção, tradução direta do grego, prefácio, textos críticos e notas de José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986.

domingo, 29 de novembro de 2009

FUI


Konstantinos Kaváfis

Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui

em busca de volúpias que em parte eram reais,

em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;

fui em busca da noite iluminada.

E bebi então vinhos fortes, como

bebem os destemidos no prazer.

Tradução de José Paulo Paes diretamente do grego, ou melhor, do neogrego, o grego coloquial herdeiro da koiné (a língua comum). Kaváfis nasceu em 1863 e morreu em 1933 em Alexandria no mesmo dia e mês, 29 de abril.

Konstantinos Kaváfis/ Poemas. seleção, estudo crítico, notas e tradução por José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1990. (Coleção Poiesis)

PRESENTE DE GEORGIO RIOS


GIRASOL
-----------Georgio Rios

Para Gerana Damulakis

A flor do poema pede pássaros
Pede a música rara dos imensos temporais
Suas asas plásticas

(Seus solos)

Há música na flor do poema.
É possível ouvir os ventos
Invadirem os ouvidos,
leves...

Aqui , junto aos pardais,
é possível ouvir
o insistente silvar do vento
que anuncia:

Eis que vem Gerana
Com espadas de metáfora.

Georgio Rios tem o blog Modus Operandi (http://georgio-rios.blogspot.com/)