quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
COM A PALAVRA O ESCRITOR NA ALB
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O TEMPO É A SOMBRA...
Gerana DamulakisNo dia 7 de abril deste ano, fiz uma postagem intitulada “Persistência do espírito grego”, para trazer o primeiro prêmio Nobel atribuído a um escritor de língua grega, ocorrido em 1963: Giórgos Seféris (1900-1971). Para encerrar, momentaneamente, com a poesia escrita pelos gregos, deixo a referência a Seféris e passo diretamente ao segundo prêmio Nobel para a literatura neogrega, em 1979: Odisséas Elýtis (1911-1996).
O TEMPO É A SOMBRA CÉLERE DOS PÁSSAROS
Odisséas Elýtis
O tempo é a sombra célere dos pássaros
Meus olhos escancarados em meio às suas imagens
Por sobre o verde ditoso das folhas
As borboletas vivem grandes peripécias
Entrementes a inocência
Despe sua última mentira
Doce, doce peripécia
A Vida.
--------------in Orientações
Tradução de José Paulo Paes
Foto: Odisséas Elýtis
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
KÓSTAS KARYOTÁKIS
ÁRVORE-----------Kóstas Karyotákis
Com rosto indiferente e ar de pouco caso,
saúdo as madrugadas, os ocasos.
Árvore, hei de olhar, com mirada isenta,
o céu azul ou a fúria da tormenta.
A vida, digo, é féretro no qual
dor e alegria do homem têm o seu final.
-----------------in Nepente [Nipénthi, 1921]
Tradução de José Paulo Paes
Kóstas Karyotákis (1896-1928) e sua poesia ficaram como representativos da geração dos anos 20 do século passado na literatura grega.
Poesia Moderna da Grécia. Seleção, tradução direta do grego, prefácio, textos críticos e notas de José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1986.
domingo, 29 de novembro de 2009
FUI

Konstantinos Kaváfis
Não me deixei prender. Libertei-me de todo e fui
em busca de volúpias que em parte eram reais,
em parte haviam sido forjadas por meu cérebro;
fui em busca da noite iluminada.
E bebi então vinhos fortes, como
bebem os destemidos no prazer.
Tradução de José Paulo Paes diretamente do grego, ou melhor, do neogrego, o grego coloquial herdeiro da koiné (a língua comum). Kaváfis nasceu em 1863 e morreu em 1933 em Alexandria no mesmo dia e mês, 29 de abril.
Konstantinos Kaváfis/ Poemas. seleção, estudo crítico, notas e tradução por José Paulo Paes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1990. (Coleção Poiesis)
PRESENTE DE GEORGIO RIOS

GIRASOL
-----------Georgio Rios
Para Gerana Damulakis
A flor do poema pede pássaros
Pede a música rara dos imensos temporais
Suas asas plásticas
(Seus solos)
Há música na flor do poema.
É possível ouvir os ventos
Invadirem os ouvidos,
leves...
Aqui , junto aos pardais,
é possível ouvir
o insistente silvar do vento
que anuncia:
Eis que vem Gerana
Com espadas de metáfora.
Georgio Rios tem o blog Modus Operandi (http://georgio-rios.blogspot.com/)
Assinar:
Postagens (Atom)

