quarta-feira, 11 de novembro de 2009

NUNO RAMOS VENCE O PRÊMIO PORTUGAL TELECOM DE LITERATURA

Gerana Damulakis

Diretamente de Portugal, fico sabendo por minha amiga Maria Helena, que Nuno Ramos venceu o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, na sua sétima edição, com o livro Ó, editado pela Iluminuras.

O livro de Lourenço Mutarelli, A arte de produzir efeito sem causa, ficou em terceiro lugar, atrás do veterano João Gilberto Noll, com o romance Acenos e Afagos.
Júri final do Telecom: Antonio Carlos Secchin, Beatriz Resende, Benjamin Abdala Júnior, Leyla Perrone- Moisés, Regina Ziberman, Sérgio Sá.

Sugestão: na Copa de Literatura (http://copadeliteratura.com/) há excelentes avaliações críticas para os livros: de Mutarelli, vencedor do jogo 7, lido por Luís Francisco Carvalho Filho, e de Noll, participante do jogo 6, lido por Fabio S. Cardoso.
Lembremos que o vencedor do mesmo prêmio no ano passado foi Cristovão Tezza, com O filho eterno.

HOMENAGEM PARA O POETA GREGO DA BAHIA NA ACADEMIA DE LETRAS DE ILHÉUS

Sosígenes Costa nasceu no dia 14 de novembro de 1901, em Belmonte, Bahia. Há exatos 108 anos, portanto.


Eu faço versos/ para espantar meus males./ Para espantar os tigres que vivem me rondando./ Para afugentar os monstros/ que não me deixam nunca./ Para me livrar dos espectros/ que sempre me aparecem.
Sosígenes Costa in "Quem Canta, Seus Males Espanta".

ENCONTROS

GD

Estivemos, Aramis e eu, no lançamento do segundo livro de poemas de Kátia Borges, Uma balada para Janis, realizado no mesmo momento em que Maxim Malhado também lançava o seu Apenas uma lata, na livraria Tom do Saber; ambos os livros foram editados pela P55 Edições, na Coleção Cartas Bahianas.
Vou escrever uma espécie de crônica social do evento, obedecendo cronologicamente uma sequência dos encontros. Recebemos as dedicatórias de Kátia e de Maxim nos seus respectivos livros. Perguntei para minha afilhada literária se encontrarei poemas que me induzam a constatar que sua poesia mudou desde De volta à caixa de abelhas, então aprovado por mim, com grande entusiasmo, quando participei da comissão do Selo Editorial Letras da Bahia.
Trocamos umas impressões com Cíntia e Claudius Portugal. Aramis seguiu conversando com eles. Encontrei os escritores Suênio Campos de Lucena e Luís Antonio Cajazeira Ramos e louvamos o prêmio que Marcus Vinícius ganhou com seu conto de mestre. Estamos os três encantados e contentes com a vitória de MV. Lembramos, Kátia, o poeta Adelmo Oliveira e eu, a excelente antologia de poesias organizada por Ildásio Tavares. Abracei Florisvaldo Mattos, meu padrinho literário, o primeiro editor de meus textos.
Fomos sentar para comer uma pizza, Aramis e eu, quando tive um prazer enorme: conheci Maria Sampaio, do blog Continhos para cão dormir. Não me contentei com um abraço, fiquei abraçando-a, quatro vezes ao todo. A blogosfera tem esse lance para o qual ainda não achei a palavra certa, definitiva, que carregue o significado do encontro de pessoas que parecem que se conhecem muito, trocam comentários, fazem leituras umas das outras e, no entanto, jamais se viram no mundo de cá. Preciso de uma palavra nova para algo novo assim.
Sentou-se conosco o poeta Cajazeira Ramos, falamos exaustivamente dos Encontros Literários na ALB. Chegou um dos casais mais simpáticos da literatura baiana: os escritores Mônica Menezes e Carlos Barbosa, ambos com boas notícias. Coisa boa mesmo: ouvir novidades que são fatos felizes, sonhos realizados. Outro casal entrou, aproveitei para pedir uma dedicatória a Adelice Souza no seu mais recente livro de prosa curta, todavia não adquirido antes, por ocasião do lançamento. Revi, abracei e beijei algumas pessoas do meu tempo no jornal A TARDE, como Josélia. Estive com mais uma afilhada literária, a poeta Lúcia Carneiro.
Voltamos para o local do lançamento. Beijei Állex Leilla, ficcionista que tem a minha admiração alicerçada há mais de uma década. Perguntei por João, encontrei-o com Padilha, este último me prometeu o envio de seu romance e lembrou uma resenha que fiz na revista Neon sobre seu livro de contos. Vi que João parece restabelecido, falamos um pouco sobre blogs, elogiei seu mais recente poema no blog Hiperghetto.
Outra satisfação enorme: conheci Nilson Pedro, um poeta que também já publicou na Coleção Cartas Bahianas e que impressiona pela qualidade de sua poesia. Comecei a ler seus poemas no blog Blag e não parei mais. Érica tirou fotos nossas com Kátia.
Creio que não sei discorrer muito bem sobre eventos, quis apenas registrar encontros. Leitura boa vem abaixo.

High Ashbury,
San Francisco
------Kátia Borges

7.
Espero
com a paciência dos desesperados
que o destino teça seus dramas

Dama
ás que Deus guardou na manga
para provar que existe e é bom

[quando eu já duvidava]
Não existem mais mistérios
o meu aparelho é stereo e vai do jazz ao
----------------------------[rock n’roll

[e ouço poesia, todo dia, no volume máximo]



Todos os blogs aqui citados estão nos meus "Favoritos".

domingo, 8 de novembro de 2009

REVISTA GRANTA -VOL. 4


GD

Granta, editada pela Alfaguara, é uma revista em forma de livro. Em português, ela já está no volume 4: todos com textos de primeira, pois que a marca da revista é sempre trazer o melhor dos melhores.
Os autores de Granta, vol. 4, são: Haruki Murakami, Luis Fernando Verissimo, Joyce Carol Oates, Sérgio Sant’Anna, George Steiner, Miguel Sanches Neto, Annie Proulx, Elena Lappin, Edward Platt, Kathleen Jamie, João Wainer, Milton Hatoum, Eucanaã Ferraz, Adriana Lisboa e João Paulo Cuenca.
Tive o prazer da leitura do conto "Tailândia", do escritor que tem minha intensa admiração, Haruki Murakami, cuja produção que conheço é composta de romances. Nem sei dizer qual o romance que prefiro, se Dance Dance Dance, se Kafka à beira-mar, se Após o anoitecer, se... (tenho 6 romances de Murakami, todos traduzidos para nossa língua; qualquer um deles é leitura certa). Ele esteve como um dos mais cotados para receber o Nobel no último outubro.
Outro ponto alto da revista: o conto de Sérgio Sant'Anna, "O texto tatuado". Inesquecível.
"Então você quer ser escritor", traz uma história saborosa de Miguel Sanches Neto.
Nos textos da parte intitulada "Ambição de Escritor", destaco o de Milton Hatoum.

sábado, 7 de novembro de 2009

CESÁRIO VERDE E PAUL CÉZANNE: UM PARALELO TECIDO

Gerana Damulakis


Luís Antônio Cajazeira Ramos construiu um paralelo interessante entre o pintor Paul Cézanne (1839-1906) e o poeta Cesário Verde (1855-1886). Cajazeira disse que Cesário Verde foi, para a poesia de língua portuguesa, o que Cézanne representou para a pintura européia. Tal representação do francês tem fundamento na sua “concepção arquitetônica da composição”, como dizem as palavras do próprio Paul Cézanne. Resultado: sua obra funcionou como uma ligação entre o impressionismo e o cubismo, daí Matisse e Picasso terem considerado Cézanne “o pai de todos nós”.
Cajazeira Ramos lembrou que, embora Cézanne não tenha fundado escolas, escolas foram fundadas graças ao seu legado. E concluiu: assim como, sem Cesário Verde, não existiria Pessoa, Augusto dos Anjos, Drummond, pois ele abriu o caminho para o futuro. O poeta-pintor, como foi rotulado, Cesário Verde colocou em palavras suas imagens visuais plenas de realismo.


DE TARDE
Cesário Verde

Naquele piquenique de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela;
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aquarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Lisboa, O Livro de Cesário Verde, 1887

Poema de Cesário Verde retirado do volume Cesário Verde – Todos os Poemas – Organização, Introdução e Bibliografia: Jorge Fernandes da Silveira (Rio de Janeiro: Sette Letras, 1995).
Ilustração da postagem: de Paul Cézanne, Baigneuses 1874/1875 – Metropolitan Museum Nova Iorque.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A LEITURA: UMA VIAGEM


Gerana Damulakis

Li, faz algum tempo, no ótimo Bibliotecário de Babel (http://bibliotecariodebabel.com/) sobre a leitura ser algo tão apaixonante que se pode até andar lendo. Lembro que, nos comentários, houve quem aconselhasse a José Mário Silva a ter cuidado para não acabar sendo atropelado. Não esqueci da postagem que era, obviamente, muito melhor do que a minha reprodução aqui resumida.
Ao entrar hoje no blog O silêncio dos livros (http://osilenciodoslivros.blogspot.com/) olhei para o belíssimo Franco Matticchio acima postado e fiquei pensando. É isto mesmo, o mundo fica invisível, as pessoas passam para lá e para cá, mas o que importa, naquele momento da leitura, independente do lugar, está no livro. Um outro mundo nas páginas. Qual? Também não importa qual, são tantos, tantas as possibilidades. Só a viagem importa: que seja bela!