terça-feira, 7 de julho de 2009

MANIFESTO FUTURISTA E SUAS REPERCUSSÕES NO BRASIL

ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA
Universidade Estadual de Feira de Santana - DLA/PPGLDC

100 ANOS DO MANIFESTO FUTURISTA E SUAS REPERCUSSÕES NO BRASIL

10 DE JULHO DE 2009 - sexta-feira
Local: Academia de Letras da Bahia
Av. Joana Angélica 198, Nazaré, Salvador-BA

Mesa-redonda IV – 14:00 h - Auditório
Perfil e contribuição de Almáquio Diniz
Coord.: Prof. Dr. Aleilton Fonseca (UEFS/ALB)
Manifesto Futurista
e o papel de Almáquio Diniz Gonçalves
Prof. Dr. Benedito José de Araújo Veiga (UEFS)

Almáquio Diniz: perfis e comentários
Prof. Dr. Adeítalo Manoel Pinho (UEFS)

Mesa de Encerramento – 17:00 h - Auditório
Um "mundo novo": o cinema
segundo os futuristas e os modernistas
Coord.: Prof. Dr. Claudio Cledson Novaes (UEFS)
Prof. Dr. Andrea Santurbano (UFSC)
Prof. Me. Idmar Boaventura

OBS: FREQUÊNCIA LIVRE E GRATUITA
Quem desejar certificado de 4 horas deve inscrever-se na abertura do evento, mediante assinatura na lista de presença
e o e-mail.
Informações: tel. 3321-4308

sábado, 4 de julho de 2009

AO LONGO DA LINHA AMARELA


Ao longo da linha amarela é o título de João Filho que será lançado dia 7 de julho (convite abaixo).

"A paixão não é um oásis no meio do nosso deserto diário, e sim uma suspensão súbita dos nossos frágeis alicerces espirituais".
João Filho in "Aprender pela forja", conto da antologia Travessias Singulares (São Paulo: Casarão do Verbo, 2008), organizada por Rosel Bonfim Soares.


A antologia supracitada é nacional, temática - Pais e Filhos, é o subtítulo - e nela estão ainda os baianos Aleilton Fonseca, Antônio Torres, Aramis Ribeiro Costa, Armando Avena, Carlos Ribeiro, Hélio Pólvora (por ordem alfabética).

quinta-feira, 2 de julho de 2009

CARTAS BAHIANAS


AO DIA DOIS DE JULHO

Castro Alves

.....................................................
Senhores, a glória de um povo é ser livre...
O nome de livres é o nosso brasão.
Seja esta a divisa da nossa existência.
E este epitáfio se escreva no chão...

Versos finais de "Ao Dia Dous de Julho", parte terceira/ Saudação.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

CONTO BANAL


Waldir Freitas Oliveira



Num repente, dirigiu-se a uma agência de turismo e comprou uma passagem aérea para Paris.
Atravessou, a seguir, o Atlântico, meio adormecido, sem sentir qualquer tipo de prazer naquela viagem. O que ele realmente desejava, era transpô-lo viajando numa caravela, com altos mastros e muitas velas, levada por ventos furiosos, como haviam feito, em outros tempos, os navegadores do passado.
Aquela semi-escuridão na qual se achava imerso, sentado e mal podendo, tão estreito era o espaço entre as fileiras de cadeiras, esticar suas pernas, a bordo de um avião gigantesco, junto a mais de uma centena de pessoas que nunca vira antes, sem lhes saber os nomes ou que lhes fossem, ao menos, simpáticos, deixava-o deprimido e a considerar a situação em que se achava como se fosse um castigo. Bem sabendo que das trevas que cercavam o avião em que viajava, não havia qualquer possibilidade de emergir a figura insólita e gigantesca do Adamastor. E ele queria vê-lo.
Chegando a Paris, conheceu uma jovem morena, mignon e de cabelos pretos. Para sua surpresa, ela era brasileira. O que queria, no entanto, era encontrar uma francesa; ou uma espanhola, caso não estivesse uma francesa, disponível. Uma francesa do Midi, falando um francês forçando os erres, sabendo dançar o flamengo e sendo capaz de lhe contar histórias antigas sobre a Catalunha; ou uma espanhola que lhe falasse de Granada ou de Sevilha, tocasse castanholas, podendo mesmo chamar-se Carmen, disposta a cobri-lo de beijos e carícias, que segundo haviam lhe dito, somente as andaluzas sabem fazer.
Teve, porém, de contentar-se com a brasileira. E ela, em verdade, esforçou-se, para satisfazer seus desejos. Não eram, porém, as mesmas coisas que estavam a acontecer, comparadas que fossem com as que desejara.
Nas longas conversas que enchiam as noites dos seus encontros, nas quais as palavras e as canções eram mais freqüentes que os gestos e os afagos, ele descobriu que ela somente desejava um homem comum, que a possuísse sucessivas vezes; jamais um Quixote recheado de sonhos; viu então que ela jamais poderia igualar-se à Dulcinéia idealizada pelo engenhoso cavaleiro de la Mancha.
Seguiram, certa vez, para a Alemanha. Andaram por Munich, por Colônia e Frankfurt. Percorreram o Reno, do sul para o norte, da fronteira com a Suiça até a Holanda. Pararam mais tempo em Heidelberg, às margens do Neckar.
De longe, ainda na estrada, antes de entrar na cidade, viram o céu, de azul, tornar-se vermelho. Focos de luz imensos envolviam, por todos os lados, um imenso castelo e criavam aos olhos dos que o viam, no alto de um monte, na outra margem do rio, a impressão de ele estar a flutuar no espaço – pois não se avistava a encosta do monte sobre o qual se erguia e o separava das águas cobertas de espumas alvas do rio tumultuoso e veloz que por ali passava.
Sentados num banco ficaram a contemplá-lo por um tempo longo. Suas torres e os contornos dos seus muros desenhavam-se contra um céu artificialmente vermelho. E foi naquela ocasião que eles sonharam o mesmo sonho. Ele nela encontrou a francesa do Midi, a espanhola de Granada, uma valquíria evadia das sagas germânicas, uma fada encantada; e nele ela encontrou um cavaleiro andante, um amante incansável, um Don Juan que escapara de antigos romances, um Rolando furioso a lutar contra os mouros, nas altas montanhas dos Pirineus cobertos pela neve.
Subitamente, contudo, o castelo dissolveu-se no ar; não mais o viam; e o vermelho do céu tornou-se escuridão. Retornavam à realidade. Ergueram-se, então, do banco onde estavam sentados e, mudos e sem mãos dadas, regressaram ao quarto do hotel onde haviam se hospedado.
No dia seguinte, seguiram para a Holanda. E em Otterlo, no museu Kröller-Muller, onde se encontram expostos centenas de telas e desenhos de Van Gogh, permaneceram, pasmos e calados, durante mais de uma hora, frente a “Le Semeur au coucher de soleil”, olhando um camponês a espalhar sementes sobre o campo que o cercava, sob a luz de um sol estranhamente amarelo, fixo na linha do horizonte. O amarelo é a cor do encontro com Van Gogh. Depois que somos por ele envoltos, difícil dele será apartar-nos, a fim de regressar ao mundo real. Quando ele nos penetra, nos ultrapassa os sentidos e nos atinge a alma. E, imersos no amarelo, eles de novo sonharam.
De volta ao Brasil, ele recebeu a notícia da morte súbita da brasileira morena, mignon e de cabelos pretos, que não era francesa nem era espanhola. Percebeu, então, que somente uma parte dela havia morrido; outra permanecera viva. E ele a recordou, inteira, sentada ao seu lado, frente a um castelo, em Heidelberg e, de novo com ele, olhando, encantada, em Oterloo, um quadro de Van Gogh. Preferiu, então, volver ao sonho e fugir da realidade. Dirigiu-se até a estante, e suas mãos ainda indecisas dela retiraram o catálogo do museu onde haviam estado. Ele e ela o tiveram nas mãos enquanto percorreram seus corredores e suas salas. Colocou-o sobre a mesa e sobre a sua capa, a sua mão espalmada. E viu, então, surgir à sua frente, não a francesa do Midi, falando um francês carregado nos erres, nem a espanhola de Sevilha que até podia chamar-se Carmen, nem a valquíria germânica, mas “la petite Arlésienne” pintada, certa vez, por Van Gogh, agora cercada, por todos os lados, por imensos girassóis.


Waldir Freitas Oliveira tem dezenas de títulos publicados. Está na Antologia Panorâmica do Conto Baiano – Século XX, organizada por mim, com o conto “Jean Le Corse”.
De Van Gogh : “La petite Arlésienne”, oil on canvas, 1890. Kröller-Müller Museum, Otterlo, The Netherlands.

terça-feira, 30 de junho de 2009

DO BLOG PARA O LIVRO


Gerana Damulakis

Na Academia de Letras da Bahia, quando se discutia sobre blog e literatura, eu falei que o caminho será sempre o do livro. Alguém já disse há muito tempo que tudo deve acabar em livro (usando outras palavras, claro!).
Acompanho o blog de Saramago desde seu começo, http://caderno.josesaramago.org/, diariamente. Leio outra vez se não houver nova postagem.
Do blog para o livro, O Caderno: o lançamento se deu em Portugal. Fiquei daqui admirando as fotos (por Vítor Dinis Silva) do evento no http://bibliotecariodebabel.com/, de José Mário Silva. Pedi a foto que acompanha a postagem.
É a segunda vez que trago o assunto do livro O Caderno para o Leitora, sinal da minha impaciência básica quando desejo o que não possuo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

NASCER É PERTENCER

Gerana Damulakis


Quando organizei a Antologia Panorâmica do Conto Baiano – século XX - (Editus, Coleção Nordestina, 2004), recebi uma diatribe por não haver incluído escritores que, apesar de não terem nascido na Bahia, viveram, ou vivem na Bahia. Quero, no entanto, tratar da polêmica por um viés pessoal e, contas feitas, como alguém pode se desvincular do pessoal? Um observador da literatura – para não usar a pomposa palavra “crítico” – é uma mistura de conhecimento e de gosto pessoal. Jamais abolirá o gosto pessoal, por mais que seja (e deve ser) imune às simpatias e às antipatias.
A questão ressurgirá com a Atualização do Conto Baiano: a questão relacionada ao lugar de nascimento. Haverá outras questões por conta das ausências na nova reunião. O tal viés pessoal traz uma lembrança cara e carrega uma certeza. É a certeza que faz com que eu fique firme no meu critério sobre a necessidade de ter nascido na Bahia para constar da antologia regional.
A lembrança cara: meu avô viveu décadas no Brasil – em Angra dos Reis (RJ), em Santos (SP), em Torres (RS) e em Salvador (BA). Falava português muito bem, porém, jamais conseguiu dizer o “ão”. Até já contei aqui o quanto eu era uma netinha chata, ficava mandando ele dizer “João”, e ele só dizia “Jon”, assim como “pon”, o que seria "pão" etc. Adorava a Bahia, a cor do mar de Salvador (também já contei aqui), não tinha o que dizer dos brasileiros que não fosse elogio. Na hora da morte – ele morreu em casa, com a família ao redor – foi falando e morrendo, falando e morrendo... todo o tempo em grego, como se nunca houvesse conhecido o português.
A certeza: não adianta, a pessoa nasce e morre pertencendo a determinado lugar. O blá-blá-blá de que não pertenço a isso aqui, nasci no lugar errado e variantes (que não eram o caso de meu avô em relação à Grécia) são infantilidades. Os problemas estão dentro, seguirão com a pessoa na mudança de lugar, sem dúvida. O inferno são os outros (de Sartre) é uma bela frase, só que o inferno não são aqueles que estão em certo lugar; o inferno somos nós mesmos, o que trazemos dentro.
Jorge Amado morou na França, morou no Rio de Janeiro. Jorge Amado é um romancista francês? Jorge Amado é um romancista carioca? Ele entrou para a história da literatura como romancista baiano, qualquer questionamento seria ridículo.