quarta-feira, 9 de março de 2016

OS POEMAS DE JOÃO RENATO MARINO



Os poemas de João Renato precisavam mesmo compor um livro. João é um livro organicamente estruturado, os poemas estão cuidadosamente colocados em 7 partes. É raríssimo (faço questão de enfatizar, é raríssimo) encontrar hoje em dia um livro com poemas do nível que a coletânea de João Renato Marino apresenta: a profundidade do que dizem os versos, o envolvimento que as palavras vão tecendo em torno do leitor e, ainda mais, o evidente conhecimento da arte poética. Enfim, a linguagem: "A linguagem deles foi tão escovada/ que a dor e a agonia brilham". São seus poemas que brilham nas páginas.

GUARDA

                  Para Gerana Damulakis

A dor imensa que te invade agora
em que a esperança te abandona,
teu sonho naufraga,
a dúvida sobre o mundo se esparrama
e destrói tantos credos
em pessoas e ideias à tua volta,

         – guarda-a –.

Mas guarda o tamanho,
não a mágoa,
porque teu coração e tua alma,
que de agonia e de tormento
agora se dilatam,
terão também mais tarde
para o gozo do prazer maior espaço.

E serás mais forte, mais sedento,
mais pronto

                                 – e talvez mais apto.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A PERDA DE MYRIAM FRAGA PARA TODOS NÓS




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Gerana Damulakis

A perda de Myriam Fraga para a cultura baiana, primeiramente para a poesia baiana, é imensurável.
E também a saudade, que vai aumentando e logo será imensurável quando chegarem as ocasiões e os momentos nos quais certamente Myriam estaria e já não estará.
Simplesmente estou arrasada com a morte de Myriam. Falei com ela alguns dias antes, jamais pensei que seria a última vez.
Foi uma ótima pessoa e foi a nossa poeta. Inesquecível, para mim, um fato entre tantos: fomos para o Rio de Janeiro por conta de uma Bienal. Do aeroporto tomamos o caminho do shopping da  Gávea e na livraria da Travessa - Aloísio havia colocado o livro de Myriam na vitrine - compramos nossos exemplares de Omeros, do poeta Derek Walcott, que havia recebido o Nobel de Literatura. Depois jantamos strogonoff. No dia seguinte, no táxi rumo ao local da Bienal, ela disse que havia lido o livro de Derek durante a noite e,  maravilhada, resumiu: "A síntese, a síntese!". Tal exclamação ficou dentro de mim.
Já doente, ela não conseguiu assistir a minha posse na ALB. Pelo telefone, emocionada, chorou e disse jamais ter imaginado não participar da minha posse, logo ela que, muitas vezes, fazendo contas dos votos que Fulano ou Beltrano teriam nas eleições, sempre contava com meu voto e eu precisava lembrar: "Myriam, eu não sou acadêmica". Então me respondia que, para ela, é como se eu já fosse sua confreira.
Fizemos parte de várias comissões para avaliação de originais nos últimos 20 anos; a última, no ano passado, foi a do Selo João Ubaldo Ribeiro, da Fundação Gregório de Mattos.
Muitas recordações. E muita poesia de primeira: a poesia de Myriam Fraga, sempre.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA

Gerana Damulakis

Quero registrar aqui o meu agradecimento ao acadêmico Aleilton Fonseca. Ele me recebeu na Academia de Letras da Bahia com um belíssimo discurso, pleno de afeto e alegria, embelezando a minha posse na cadeira 29, cujo antecessor foi o grande escritor, meu amigo querido, Hélio Pólvora.

quinta-feira, 26 de março de 2015

MORREU O MESTRE DO CONTO BAIANO: HÉLIO PÓLVORA

Ficcionista por excelência, Hélio Pólvora deixou uma obra de alto nível no conto e no romance. Raramente escrevia poemas e não publicou mais do que um volume de versos na juventude. Sem dúvida merece ser visto como o mestre do conto baiano, com uma obra vasta de reconhecido valor.

Hoje pela manhã, Maria Pólvora me mostrou um poema que Hélio escreveu e colou na porta de seu quarto. Li este poema na cerimônia da cremação de Hélio, no final da tarde. Quero registrar aqui os versos do meu amigo querido.

Eu sou Hélio
o Velho Hélio
de guerra e de dor.

Mas só queria ser
o moço Hélio
de paz e de amor.

Paz e amor
fariam de mim
um Velho em flor.

Por isso lhes peço:
em vez de dissabor
me tragam amor.


Adeus, Hélio.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O ESCRITOR BAIANO NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS

Antonio Torres foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. O autor de mais de uma dezena de romances, entre eles o já clássico Essa Terra, é baiano de corpo e alma, isto é, nasceu na Bahia e conserva sua afeição pela terra, pelos amigos e por suas recordações.
Comemoramos sua vitória com alegria verdadeira: merecidíssima vitória!

domingo, 25 de novembro de 2012

JOÃO UBALDO RIBEIRO NA ALB

Tomou posse na Academia de Letras da Bahia, no dia 22 de novembro, o escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. A cadeira é a de número 9, que pertenceu ao professor e grande tradutor de poesia francesa, Claúdio Veiga.
O presidente da Academia de Letras da Bahia, o escritor Aramis Ribeiro Costa, empossou o autor de Sargento Getúlio, o qual adentrou o auditório acompanhado por seus agora confrades, a poeta Myriam Fraga, o poeta Ruy Espinheira Filho e o escritor João Carlos Teixeira Gomes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A POSSIBILIDADE DE UMA ILHA

A luz é una, mas seus raios são incontáveis.
Michel Houellebeq, in A possibilidade de uma ilha