Ontem, 21 de maio de 2012, foi eleito como membro efetivo da Academia de Letras da Bahia o poeta Luis Antonio Cajazeira Ramos.
Seu primeiro livro foi Fiat Breu (Edições Papel em Branco, 1996), daí vem Como se (FUNCEB, 1999), do qual retiro o soneto "Punhal", cortante (sem trocadilhos), que faz a platéia estremecer quando dito pelo autor em voz alta, tal como ocorreu numa Bienal do Livro, aqui em Salvador, no Café Literário que ali foi implantado. Em 2002, Luís Antonio publicou Temporal temporal, pela Relume Dumará, um livro que antes de ser editado já era um vencedor: ganhou o Prêmio Gregório de Mattos 2000 da Academia de Letras da Bahia e foi menção honrosa no Cruz e Sousa 1998 da Fundação Catarinense de Cultura. Há vários poemas de Luís que poderiam servir como amostra de sua poesia, seja pela força, seja pelo espanto que causam, seja pela beleza em si. Seguem o supracitado "Punhal" (pena que a voz dele não pode ir junto) e "Sonâmbula", dedicado a Gerana (diz ele que logo após a feitura, leu para mim pelo telefone - ele tem mania de fazer isso - e eu adorei; mas há tantos que eu admiro igualmente). SONÂMBULA A Gerana Damulakis A vida passava, o amor não chegava. Aguardava (a esperança a guardava) o que não acontecia, quem não vinha. Desenhava a felicidade na fumaça das horas, debruçada sobre o parapeito dos sonhos, vendo a todos transeuntes do deserto, sob a sacada das emoções perdidas. Improvável Penélope, tecia ilusões de partida para confins imaginários sob o lençol diáfano, manchado do sangue virgem de seus desejos, satisfeitos na solidão de núpcias de nuvem. A vida passava, a dor não chegava ao pesar da vigília, a que o engano negava acordar os galos e deitar os lampiões... E beladormecia na eternidade em que se perdera. E não se sabe que bruxa, que fada, que fado a vida reservara a seu destino de Cinderela das vertigens. PUNHAL Não quero ver, em teu olhar de vítima, o viés de amor que me pretende algoz de um sofrimento vão que ignoro. Atroz, destruo teu desejo com desídia. Meu dia tinge em negro a noite branca do teu sonho, enlutando-o em solidão. Ah esperança de que eu te fosse a pomba que apazigua a dor... Tola ilusão. Nego-te os arrepios de meus dedos provocantes e táteis em teus pêlos e não faço as carícias que precisas. Não digo nada além de meu silêncio. Nem ao menos desprezo teu tormento, pois sigo estátua fria, sem desdita.
terça-feira, 22 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
CARLOS FUENTES (11/11/1928 - 15/05/2012)
Un artista sabe que no hay belleza sin forma pero también que la forma de la belleza depende del ideal de una cultura. El artista trasciende, parcial y momentáneamente, el dilema, añadiendo un factor: no hay belleza sin mirada. Es natural que un artista privilegie a la mirada. Pero un gran artista nos invita no sólo a mirar sino a imaginar.
Carlos Fuentes
Carlos Fuentes
sábado, 21 de abril de 2012
A VISÃO DE PIGLIA
"Un estudioso del lenguaje debe creer en lo que a simple vista no se ve. La mirada del cazador solitario que rastrea en la costra reseca de la estepa la pisada liviana del fénix."
Ricardo Piglia- Encuentro en Saint- Nazaire
Postagem graças a um e-mail de minha querida poeta Silvia Zappia, do blog En Zigurat, que me mandou a maravilhosa frase de Ricardo Piglia.
Ricardo Piglia- Encuentro en Saint- Nazaire
Postagem graças a um e-mail de minha querida poeta Silvia Zappia, do blog En Zigurat, que me mandou a maravilhosa frase de Ricardo Piglia.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A CRÍTICA
Depois do direito de criar, o direito de criticar é o bem mais precioso que a liberdade de pensamento pode ofertar.
Vladimir Nabokov
Vladimir Nabokov
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
LIVRO DO ANO 2011 - LITERATURA ESTRANGEIRA
Foto: Orhan Pamuk, Nobel de Literatura de 2006
Gerana Damulakis
Esta postagem é para meu amigo, o poeta Goulart Gomes
OS LIVROS DO ANO 2011 FORAM MUITOS, MAS VOU DESTACAR CINCO DELES E COLOCAR O MUSEU DA INOCÊNCIA (COMPANHIA DAS LETRAS, 2011), DE ORHAN PAMUK, COMO O GRANDE LIVRO.
GRANDES LEITURAS:
BROOKLYN, DE COLM TÓIBÍN (Companhia das Letras, 2011)
NÊMESIS, DE PHILIP ROTH (Companhia das Letras, 2011)
CLARABOIA, DE JOSÉ SARAMAGO (Companhia das Letras, 2011)
E DEPOIS, DE NATSUME SOSEKI (Estação Liberdade, 2011)
MONSIEUR PAIN, DE ROBERTO BOLAÑO (Companhia das Letras, 2011)
O fato de ter escolhido o livro de Pamuk vem obviamente da empatia que a leitora sentiu com o tema. Mas foi Urania Peres quem melhor disse sobre o livro. Primeiramente, ela colocou algo muito interessante, ou seja, os livros de Pamuk passam para o leitor, quase como uma contaminação, o sentimento dominante da narrativa. Se o livro Istambul, também de Pamuk, levanta uma vontade intensa de viajar para Istambul, este O museu da inocência, cujo tema é a obsessão, cria, durante a leitura, uma verdadeira obsessão pela própria leitura do romance. Dito isso, não resta mais o que completar, apenas indicar tal leitura tão envolvente.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
CLARICE LISPECTOR (10/12/1920 - 09/12/1977)
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