quinta-feira, 12 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
A CRÍTICA
Depois do direito de criar, o direito de criticar é o bem mais precioso que a liberdade de pensamento pode ofertar.
Vladimir Nabokov
Vladimir Nabokov
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
LIVRO DO ANO 2011 - LITERATURA ESTRANGEIRA
Foto: Orhan Pamuk, Nobel de Literatura de 2006
Gerana Damulakis
Esta postagem é para meu amigo, o poeta Goulart Gomes
OS LIVROS DO ANO 2011 FORAM MUITOS, MAS VOU DESTACAR CINCO DELES E COLOCAR O MUSEU DA INOCÊNCIA (COMPANHIA DAS LETRAS, 2011), DE ORHAN PAMUK, COMO O GRANDE LIVRO.
GRANDES LEITURAS:
BROOKLYN, DE COLM TÓIBÍN (Companhia das Letras, 2011)
NÊMESIS, DE PHILIP ROTH (Companhia das Letras, 2011)
CLARABOIA, DE JOSÉ SARAMAGO (Companhia das Letras, 2011)
E DEPOIS, DE NATSUME SOSEKI (Estação Liberdade, 2011)
MONSIEUR PAIN, DE ROBERTO BOLAÑO (Companhia das Letras, 2011)
O fato de ter escolhido o livro de Pamuk vem obviamente da empatia que a leitora sentiu com o tema. Mas foi Urania Peres quem melhor disse sobre o livro. Primeiramente, ela colocou algo muito interessante, ou seja, os livros de Pamuk passam para o leitor, quase como uma contaminação, o sentimento dominante da narrativa. Se o livro Istambul, também de Pamuk, levanta uma vontade intensa de viajar para Istambul, este O museu da inocência, cujo tema é a obsessão, cria, durante a leitura, uma verdadeira obsessão pela própria leitura do romance. Dito isso, não resta mais o que completar, apenas indicar tal leitura tão envolvente.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
CLARICE LISPECTOR (10/12/1920 - 09/12/1977)
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
LEMBRETE
Gerana Damulakis
Ah! Quantas vezes digo para mim mesma os versos do "Lembrete" de Drummond.
Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade
Ilustração: René Magritte. Les Enfants Trouvés: La Traversée Diffícile, 1968.
Ah! Quantas vezes digo para mim mesma os versos do "Lembrete" de Drummond.
Se procurar bem, você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida,
mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade
Ilustração: René Magritte. Les Enfants Trouvés: La Traversée Diffícile, 1968.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
IDEIAS, PALAVRAS, HUMORES, SUSPIROS E MEMÓRIAS
Gerana
Damulakis
Bula
Pro Nobis é o título da mais recente reunião de poemas de
Fernando da Rocha Peres, com ilustrações de Mário Cravo Jr., apresentação de
Carlos Nelson Coutinho, lançado pela Solisluna Editora, composto por três
divisões: Suspensio, Infusion e Potio.
Descrito o livro e
expondo a concordância no que tange à necessidade de adjetivar, “Tudo é
preciso/ adjetivar (para o bem,/ para o mal) da natureza”, “Nada pode dizer/
sem adjetivar!”, posso usar o adjetivo excelente para indicar a impressão da
minha leitura.
Se a poesia não é
remédio, pois que não salva, tampouco cura, pelo menos traz encantamento,
independente de como venha (ou como se tome), seja em estado de suspensão,
infusão ou, tal um xarope, como poção.
Sempre afeito a atentar
no tanto que há de enfermiço no ser humano – e que por isso mesmo nos torna
humanos – seja na alma, seja no corpo, como certa febre terçã, ainda assim o
poeta não é derrotista, pois há esperança e amor, principalmente amor, nos seus
versos. E a esperança é daquelas próprias aos que não desdenham a religião,
quando mais não fosse pela fé cega, que seja por uma certa perplexidade diante
da história religiosa. Tal como um evangelista, os versos do poema “Entrevista”
dão conta de um diálogo divino. Encantador!
Em “Alegoria VIII” está:
“Aprendiz de um Pessoa,/ amante de uma Florbela”. Vou mais longe: Fernando faz
parte da linhagem de Bandeira e Drummond. E a literatura sendo, como é, uma
arte, então é também um imenso diálogo, daí ouso dizer que certos tons, que
certos versos cantam como cantam os de CDA e MB. E não seria para menos, porque
os versos de Bula Pro Nobis trazem
ironia e lirismo. Fernando da Rocha Peres sabe usar essas duas ferramentas da
arte, ferramentas caras e de difícil manejo, já que é preciso justamente arte
para saber lidar com elas utilizando destreza, na medida exata, na dose certa.
E nosso poeta, conhecedor de infusões, suspensões e poção, entende a química
necessária.
Há poemas no livro que
me fazem suspirar, vou elencar aqueles que ressoaram no lado esquerdo do meu
peito. Destaco por empatia imediata os poemas: “Deshumor”. O aperto na alma
causado pelo último terceto de “Sinal”. E ainda: “Mesmo”, “Assim”, “Verbos”, “Entrevista”,
“Página”, “Ambíguo”, “A Tigela”, “Sahrãzãd”.
E agora versos que
foram lidos e relidos, pois uma vez seria pouco, tal a atração que exercem.
Em “Recado”: “Três ou quatro poemas/ bastam para
desistir,/ se desço ao abismo de Dante./ A lição infernal queima devaneios.”
Em “Passos”, para as
mães argentinas: “Maria bem sabe a cruz/ que sofreu, ao ver uma vida/ pregada
nos pés e mãos”. Murilo Mendes ficaria com inveja.
No poema “Busca”:
“Harmonia e linguagem:/ dupla viaviagem/ na pauta dos iluminados.”
E como Drummond cantou
Bandeira, Fernando faz homenagem justa a Florisvaldo Mattos, nos seus setenta
anos, com “Canários”.
Com “Maruja”, “(...) a
poesia torna-se/ urgente para atiçar e abrir colheitas.”
E em “Idiotias”: “Voltar e revoltar os olhos/
para a Terra onde vivemos/ e deixar o Universo com Deus:/ eis a lição dos
poetas e loucos!”
Belos, belos os versos:
“O amor é sentimento guardável,/ hoje, pois a vida não cabe exposições/ de um
longo beijo que foi, se tudo é desnada.”, em “Confissões I”.
E a construção dos
versos: “A poesia descabe, despontua,/ desliza: a costureira jovem e solteira,/
faz o pesponto e a bainha do manto.”, em “Escrita”.
Fiquei repetindo este
terceto de “Passagem I”: “Aturdido estou, neste acordar de veraneios,/ e busco
entender o código dos cantos mudos,/ delirantes, anunciados, idos em
dezembros.”
Concordei e pensei no belo achado em “Cru”: “O
tempo é biográfico”.
O poema “Ao Poeta” traz
como primeiro verso de cada estrofe o primeiro verso do famoso poema de Álvares
de Azevedo – “Se eu morresse amanhã,
viria ao menos/ Fechar meus olhos minha triste irmã;/ Minha mãe de saudades morreria/ Se eu morresse amanhã!”- enquanto
o poema “Lento” também gerou um suspiro: “Ah! A saudável ondulação/ da vida
gota a gota”.
Com “Libitina” me
emocionei muito: “A sempre esperada/ nos acompanha na vida/ e nada anuncia/ do
seu diário e agenda/ que pode ser de sol/ e sustos, chuviscos até,/ mas requer
um lençol/ branco, áspero e limpo/ de linho cru, igual ao deserto,/ para a
viagem e o encontro”.
Por fim, vou reproduzir
na íntegra um poema curto, mas que valeu a água de lágrimas. Realmente, me
tocou bastante:
PÁGINA
Talvez
o velho/ entenderia o filho:
mas
hoje é tarde, e nada
ecoa
além de lembranças.
O
tempo já era, a vida idem.
Ele
morreu, Octávio, tão jovem!...
Eu
sobrevivo sua ausência.
Este
é um grande livro de poemas. Fernando da Rocha Peres escreveu em versos que
refletem o quanto podemos ficar abismados diante da vida e seu caminho andado, além
de estupefatos, sempre e sempre, por ela continuar existindo (ela, aquela que “nos
acompanha e nada anuncia do seu diário e agenda” – é espetacular este poema “Libitina”).
Adjetivei. Enfatizo: excelente!
domingo, 27 de novembro de 2011
JANE AUSTEN E SHAKESPEARE
Gerana Damulakis
SONETO 116
Não sou fanática por cinema; melhor, não tenho paciência para assistir o que está pronto, o que não me proporciona margens para a minha imaginação. Mas os filmes em cima da obra de Jane Austen são espetaculares. Se estou zapeando pelos mais de cem canais e encontro os filmes Orgulho e Preconceito, ou Razão e Sensibilidade, então paro tudo e assisto de novo. Acabei de rever Razão e Sensibilidade. É antológico aquele instante quando Marianne e Willoughby descobrem que o "Soneto 116", de William Shakespeare, é o preferido de ambos. Começam a declamar. No livro, esse momento está no capítulo X, quando também somos informados sobre o quanto o casal gosta de falar sobre literatura.
SONETO 116
William Shakespeare
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Tradução de Bárbara Heliodora
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma, para a eternidade.
Se isto é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Tradução de Bárbara Heliodora
Ilustração:
O Baile da cidade, obra de Auguste Renoir. Óleo sobre tela, 1883. Museu D'orsay, Paris.
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