quinta-feira, 7 de outubro de 2010

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA 2010: MARIO VARGAS LLOSA

Gerana Damulakis

E o Nobel de Literatura 2010 é de Mario Vargas Llosa: merecidíssimo! Grandes romances, grandes novelas e contos, e um ensaísta de uma lucidez ímpar.
Meus romances preferidos: Tia Julia e o escrevinhador e Travessuras da menina má.
Minha novela: Quem matou Palomino Molero? (eu considero novela, apesar de ser catalogado como romance).
Volume de contos: Os chefes, os filhotes (lido recentemente; na parte intitulada Os chefes há contos, mas Os filhotes é uma novela).
Grandes ensaios nos livros: Contra vento e maré e A verdade das mentiras (este último, ainda que não goste de releituras, leio e releio, quem sabe aprendo um pouquinho a registrar sensações de leitura com a maestria de Vargas Llosa).
Total que fiquei muito alegre com o prêmio, tanto porque admiro o escritor, quanto por ser um nome do nosso continente, a América do Sul.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MAÇÃ


Gerana Damulakis

Manuel Bandeira (1886-1968) foi o poeta que me despertou para a apreciação da poesia. Li e fiquei tomada, assim como quem descobre o que faltava e diz É isso, é isso que me encanta. Abaixo, segue um poema pleno de ironia, sarcasmo e humor, recursos poéticos que estão em sua poesia com total consciência de como e do quanto podem ser usados. Completo Bandeira, um poeta completo.


MAÇÃ
-------------Manuel Bandeira

Por um lado te vejo como um seio murcho
pelo outro como um ventre de cujo umbigo pende ainda o cordão
-----------------------------------------------------[placentário
És vermelha como o amor divino

Dentro de ti em pequenas pevides
Palpita a vida prodigiosa
Infinitamente

E quedas tão simples
Ao lado de um talher
Num quarto pobre de hotel.

in Lira dos Cinquent'Anos

Ilustração: Natureza morta com maçãs, xícara e copo, de Paul Cezanne (1839-1906).

sábado, 2 de outubro de 2010

PORQUE É OUTUBRO, PAI




Ó PAI
GD
GD------------------------Por que me abandonaste?
----------------------------------Cristo


Qualquer dia, qualquer mês
e estou só.
Só as estrias de luz mostram o ar
carregando suas massas de partículas
redondas, tantas quantas são
as pessoas da multidão.
Lá fora é onde deve haver alguém.
Por que tarda?
Estou em plena tarde
sem perder o relógio de vista.
Preciso dizer-te isto, meu Pai,
que já vivo a minha tarde
e tenho medo.

Ilustração: Detalhe da Capela Sistina, de Michelangelo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

EM ANÁLISE: LE CLÉZIO


Para os admiradores da literatura do Nobel de 2008, Jean-Marie Le Clézio: amanhã, 2 de outubro, na Biblioteca Reitor Macedo Costa, Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SENSAÇÃO DE LEITURA

Gerana Damulakis

Acabei de ler o volume de contos do norte-americano Charles D'Ambrosio, O museu do peixe morto (Grua, 2010), e fiquei fascinada com as narrativas, com todas elas. A atmosfera que o escritor cria nas suas histórias impregna o leitor, a ponto de ser difícil separar a dita sensação do mundo real. Mas, não se pense que são contos à la Tchekhov (pouco enredo, pouca peripécia, muito conflito existencial), pois que a atmosfera vem de outra forma - e isso é o que surpreende: há um outro modo de envolver o leitor em uma sensação - talvez através do personagem e, exclusivamente, através do personagem, estando, tal personagem, a vivenciar uma peripécia; portanto, com muito enredo. Sinto que ainda preciso pensar melhor sobre o assunto.

Separei um trecho que tem afinidade comigo, sem, no entanto, ser muito significativo do que coloquei acima.

Gosto de ler, de ficar sentado quieto na mesma cadeira, com o abajur num certo ângulo, sozinho, e de vez em quando, se tiver sorte, encontro uma bela frase ou sentimento, levanto os olhos do meu livro, sinto a harmonia e a justeza daquela ideia, e sei que já está tudo lá. Isso para mim é a vida, esses momentos de descoberta solitária. Não me contentaria com menos, mas também não espero muito mais que isso.
Do conto"Bênção", de Charles D'Ambrosio

Ilustração: Uma leitura silenciosa, de Kay Blacklock (1872-1924).

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

QUINTA-FEIRA NA ALB


Na Academia de Letras da Bahia, quinta-feira, às 17 horas, os escritores Armando Avena e Marcus Vinícius Rodrigues farão a leitura de seus textos, que serão comentados respectivamente por Andréa Hack e Gerana Damulakis.
O conto de Marcus Vinícius Rodrigues que comentarei será "A Tarde de um Fauno", do livro Eros Resoluto (Edições P55, 2010).

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

GENIAL TCHEKHOV


Gerana Damulakis

A genialidade de Anton Tchekhov está no conto que, a partir do simples, encerra um conteúdo de emoção muitas vezes torturante. "É que a intenção de Tchekhov se mascara de sutis subentendidos", segundo Herman Lima.
Penso que o sentido de seus contos está em nós, leitores. Uma frase - um trecho, uma história inteira - é como uma flecha que vai acertar o alvo, ou não. As duas frases do conto "O Bisbilhoteiro" acertam em mim:

(...) Mas não há felicidade absoluta nesta vida. A própria felicidade contém o seu veneno que vem de fora e a vulnera.
Tchekhov

Ilustração: Venus Verticordia, de Dante Gabriel Rossetti (1828-1882).